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Inocencio Isaac
O ser Ateu

O ser ateu.

O ser ateu existe apenas em alguns lugares. Nos dicionários. Em textos religiosos. Em comentários e escritos de pessoas que enveredaram por caminhos tidos até aqui como tipicamente intelectuais. Na mente consciente dum adolescente, como uma aspiração de condição pessoal, no decorrer da progressão no corpo dele da atividade hormonal de caráter sexual que no principio abate, confunde e torna insegura essa mente mas que depois acaba por provocar nela o surgimento do sentimento de onipotência que é o dum ser que pode criar seres vivos e que por isso imagina poder se colocar no patamar de divindade. Nessa mente que tem em sua consciência um eu sou ateu enquanto no subconsciente tem um Posso criar vidas por isto sou Deus. E eu estou aqui, logo o Deus, do qual falam mas não é visto, não existe. E por fim, este ser ateu existe na mente consciente daqueles que estacionam a sua personalidade neste ponto do desenvolvimento da mente adolescente ou retornam ao mesmo posteriormente.

Porque alguém estaciona nesse ponto adolescente de crer poder ser ateu ou volta a ele posteriormente ? Por desejo de voltar a um tempo da juventude. Por reação ao próprio complexo de inferioridade em relação a um Ser Superior. Por inveja em relação à posição desse Ser. Por revolta contra a sua própria condição de fraqueza em relação à Divindade. Por indevida decepção com Deus por Este não violar o principio do livre arbítrio e não intervir, pondo fim a injustiças. E às vezes até por uma incapacidade de pensar no que há para além do que é visível e do que já foi comprovado matematicamente, o que ocorre pela via dum seu raciocínio prisioneiro de uma atenção cega às belezas e sutilezas que podem ser entrevistas na disposição da matéria e da vida no universo, ou pela aceitação de errôneos ensinamentos de pessoas que esse alguém admira .

Esse estágio adolescente da mente em que ocorre o errôneo sentimento de alcance de onipotência e condição divina, merece uma especial atenção naquilo que é como fase de criação de idéias e crenças despercebidamente totalitárias. Porque nessa etapa de vivência dessa mente surgem disfarçadamente nela *os não democráticos sentimentos paternais e maternais*. E quando esses sentimentos, que são aberta e conscientemente dirigidos para a proteção da cria e secreta e subconscientemente voltados para * a condução de seu próprio material genético ao futuro * (para um indevidamente presumido uso na ressurreição) se fundem com o sentimento das tais pretensas onipotência e divindade, então surgem nessa mente, por uma sensação falsa de ampliação de seu próprio poder e uma compaixão que se adequa a essa sensação e cresce na direção de toda a raça humana, a busca da solução para as misérias dos povos (que essa mente recusa-se a crer que venham fundamentalmente do crescimento demográfico) e a criação das falsas figuras de populações que confundem-se com as figuras de seus potenciais próprios pequenos filhos e filhas. Aparecem nessa mente as figuras de grupamentos que não sabem o que fazem, que devem ser protegidos à sua revelia, que merecem a sua compaixão de mente paternal ou maternal pouco democrática mas idealista e desejosa de ser eficiente provedora. Isso do jeito que for possível, mesmo à custa de uma grande, média ou pequena supressão de liberdades individuais, Pois afinal são apenas crianças. No futuro nos agradecerão. Assim nasce a concepção de ser aceitável e, pior do que isso, desejável e defensável, o compassivo estado totalitário, o estado papaizão que governa a nação mamãezona. O estado que desconhece que não é ele em sua oportunista face executiva e legislativa mas sim em sua face judiciária melhorada que deve proteger os seus filhinhos bons de seus filhinhos maus. O estado que não entende que os seus filhinhos honestos e competentes para a obtenção do que é materialmente necessário e do que é materialmente além do necessário à sobrevivência não podem ser prejudicados para que sejam nivelados a seus filhinhos honestos que não têm essa competência ou que, buscando elevar-se no campo espiritual, não se interessam por tê-la. Por outro lado, nessa mesma mente surge a crença, que pode ocupar o lugar dessas anteriores, de que não apenas aquele ser humano ao qual ela pertence mas todos os seus semelhantes são deuses e assim também nasce a idéia de ser aceitável a concepção segundo a qual o poder político absoluto deveria ser dado a cada um dos seres humanos e que o estado e suas leis deveriam deixar de existir, dando lugar à moral, que seria então uma auto-reguladora racional. Assim foram engendrados os fortemente totalitários comunismo, marxismo, nazismo e fascismo; o medianamente totalitário socialismo; o suavemente totalitário socialismo democrático; e o difusa e fortemente totalitário anarquismo. Observação: No socialismo democrático, que é apenas quase democrático, para distribuição forçada de riquezas ou para proteção do estado, frequentemente se viola o principio básico de que todos são iguais perante a lei. Como acontece no caso do imposto de renda progressivo e no caso, que ocorre às vezes, da sentença legal que não é aplicável aos demais em mesma situação. Observação: O anarquismo é uma espécie de império das vontades individuais. Um regime em cuja concepção os defeitos humanos de caráter e o seu potencial destrutivo foram solenemente ignorados. Um regime em que pessoas e hordas ao sabor de suas vontades e seus maus instintos poderiam se atacar uns aos outros com a mais ampla liberdade. Sem nenhum grande poder coibidor de abusos que as impedisse.

O ato de ser ateu não existe como opção de vida para o ser humano porque é simplesmente impossível que ele exista como tal . Ser teísta é algo inevitável para cada ente que nasce em qualquer lugar do universo . Cada ser que nasce no universo tem os seus primeiros tempos no mesmo na condição de alguém que é pequeno, fraco e dependente de algo ou alguém que é maior, mais forte e mais poderoso que ele, algo ou alguém que ele tem como seu criador e que considera como seu Deus. Isto acontece com o primeiro ser unicelular em relação à matéria do planeta onde a vida como a dele surge, e acontece com o unicelular posterior em relação ao unicelular que o gerou dividindo a si mesmo e em relação ao meio ambiente que o nutre. Acontece com o pluricelular em relação ao pluricelular ou aos pluricelulares de quem proveio. E acontece mais ainda com o ser humano, que no início de sua existência é um ser que é mais fraco que os filhotes de muitas outras espécies e que tem um grau de dependencia de quem o gerou mais complexo do que o de qualquer outro ser vivo na Terra . Nesses primeiros tempos de vida o ser humano grava em sua mente, de maneira indelével, que ele está numa hierarquia e numa posição inferior à dos seus pais ou dos adultos que estão cuidando dele, que são então os seus deuses. Daí para a frente esse ser humano, influenciado por esses seus pais ou por outras pessoas ou guiado pelos seus próprios pensamentos, mergulha no processo de substituição desses deuses por um Deus que as religiões mais complexas tentam indicar, que é o processo que pode conduzir ao melhor termo e é o adotado pela maioria até agora; ou por vários deuses clara ou quase claramente indicados como tais, que é o processo adotado pelos politeístas e pelos semi-politeístas que existem disfarçadamente até dentro dos monoteísmos ; ou por um ou vários deuses que, substituíveis ou não ao longo do tempo, são subconscientemente tidos como tais mas que conscientemente não o são, que é o processo adotado pelos que se dizem ateus e por alguns outros. Nesse sentido, para alguns adolescentes e adultos que às vezes até têm religião e para os que querem crer que sejam ateus, acontece de pensadores, filósofos, ideólogos, cientistas, líderes espirituais, gurus, astros de música e outras artes, atletas, expoentes humanos de diversas áreas, símbolos sexuais, ideologias, objetos inanimados etc, tornarem-se deuses e deusas disfarçados, isto é, acontece deles serem transformados simultaneamente em deuses e deusas e em pessoas e coisas meramente admiradas respectivamente nos refeitórios e salas de visitas das suas mentes e almas.

*Os não democráticos sentimentos paternais e maternais*

Os sentimentos paternais e maternais não são democráticos porque é absolutamente impossível que o sejam. A realidade familiar do dia-a-dia tida até aqui como normal e saudável, aquela em que não há contra a criança a agressão física nem há contra ela a agressão mental paterna ou materna movida por mero ódio ou mera maldade, mostra isto .

Os tipos de alimento principais que as crianças vão comer têm de ser impostos e o são pelos pais das mesmas aqueles que são cuidadosos e não querem que os seus filhos enfraqueçam, adoeçam gravemente e morram nos primeiros anos de vida . Não é possível a democracia a esse respeito porque a maioria absoluta das crianças é mais fascinada pelas sensações gustativas mais atraentes do que os adultos, o que é natural pois seus sentidos são mais novos e funcionam melhor que os dos seus pais, e se essa maioria de crianças tiver a liberdade de escolher o que comer acaba optando por consumir as comidas que fazem mais mal e que menos nutrem. Os pais sabem disso .

A grande parte das ações da maioria das crianças, que só escapam disso em parte dos momentos em que brincam, resume-se a cumprir as ordens de seus pais aqueles que são cuidadosos e querem que elas se eduquem e evitem se ferir gravemente ou morrer em acidentes ou incidentes. Devido pois às suas naturais inexperiência, falta de conhecimentos, imprudência etc, e à sua natural tendência de investigar e testar tudo e todos para descobrir os limites e ampliar os seus conhecimentos, as crianças, o tempo todo podem colocar-se em perigo. Há no mundo muitos perigos para a criança que vêm do meio ambiente e da natureza ou vêm de outros seres humanos descuidados ou perversos. Por isto os seus pais, que querem que estejam em segurança e não acabem feridas, mortas ou desaparecidas, não podem mesmo ser democráticos com elas e não lhes concedem liberdade para nada importante. Quase tudo lhes é imposto . As crianças cuidadosamente criadas, para o bem delas, não podem pois ir sozinhas aos lugares que quiserem e quase sempre não podem decidir o que fazer nem quando fazê-lo . E por aí afora .

Isso pode dar uma boa idéia a todos a respeito de que tipo de conseqüências advêem do ato da procriação de filhos, que é o pecado original, e da razão básica pela qual neste mundo tem sido tão difícil a construção e manutenção da democracia, que é algo bom, e tão fácil a instalação e a conservação do regime totalitário, que é algo mau.

* A condução de seu próprio material genético ao futuro*

A idéia de que o material genético próprio de ser humano poderia ser enviado ao futuro através de sua prole para que pudesse ser usado na reconstrução dele na Ressurreição é uma concepção que foi posta por Satã para funcionar na mente subconsciente humana como uma razão e um estímulo para que esta trabalhe o tempo todo em prol da procriação de filhos. Ela não aparece na consciência senão como uma coisa meio secreta que se apresenta de forma nebulosa, difusa, vaga e incompreensivel . É uma fantasia e um engodo .

A Ressurreição é possível; é mesmo em corpo físico; até este momento em que este texto está sendo escrito ainda não ocorreu no planeta Terra; ocorrerá; faz parte do próximo salto evolutivo da espécie humana; acontecerá aqui neste campo da matéria em que os seres vivos se encontram e não em algum outro mirabolante e inexplicável lugar sugerido por meras especulações teológicas; e sua execução compreende, entre outras, ações no campo da genética. Mas nela, para que cada morto seja trazido de volta à vida, não é necessário o uso do material genético de nenhum descendente dele. Mesmo porque o material genético de cada descendente é exclusivamente do mesmo, é novo, é resultado da fusão total dos materiais que provêm dos dois seres que são os seus pais, os seus antepassados mais imediatos. Não é igual ao material genético de nenhum antepassado dele, seja esse antepassado imediato ou não . E nenhum material genético que tenha pertencido a algum antepassado desse descendente e tenha sido usado para compor esse descendente pode ser extraído dele com a finalidade de servir à reconstituição física de tal antepassado .

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